Os leilões de potência passaram a operar com novos preços-teto nesta sexta-feira (14/02). O governo reconheceu distorções nos valores divulgados no início da semana. Em seguida, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a revisão. Com isso, o Executivo tenta evitar baixa adesão e assegurar a contratação de capacidade firme para o sistema elétrico.
Logo após a divulgação inicial, o mercado reagiu de forma intensa. As ações da Eneva caíram quase 20% no pior momento. Investidores avaliaram que os valores não cobriam custos fixos. Além disso, o aumento do capex, pressionado por gargalos na cadeia de suprimentos, elevou a preocupação, sobretudo no segmento de turbinas a gás.
Leilões de potência e a correção dos valores
Com a atualização, o governo elevou o preço-teto das usinas existentes a gás natural e carvão mineral de R$ 1,12 milhão para R$ 2,25 milhões por MW ao ano. Ao mesmo tempo, aumentou o limite para novos empreendimentos a gás de R$ 1,6 milhão para R$ 2,9 milhões por MW ao ano.
Além disso, o Executivo reajustou os valores das usinas a óleo combustível e diesel de R$ 920 mil para R$ 1,6 milhão por MW ao ano. No caso do biodiesel, elevou o teto de R$ 990 mil para R$ 1,75 milhão por MW ao ano. Por outro lado, manteve em R$ 1,4 milhão por MW ao ano o valor para expansão hidrelétrica.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), técnicos revisaram premissas após diálogo com agentes do setor. O ministro Alexandre Silveira afirmou que o governo atua com “responsabilidade técnica” e compromisso com o interesse público.
Reserva de capacidade e segurança energética
Os certames ocorrerão em 18 e 20 de março. O governo os classifica como leilão de reserva de capacidade. Esse mecanismo busca reforçar a segurança energética. Isso ocorre porque a matriz elétrica amplia a participação de fontes eólica e solar, cuja geração varia conforme o clima.
Na prática, os preços-teto definem o limite máximo das propostas. Eles não determinam o valor final contratado. Ainda assim, influenciam diretamente o apetite dos empreendedores e moldam a competição regulatória no certame.
Leilões de potência e sinal ao mercado
Ao revisar os leilões de potência, o governo reduz o risco de um certame esvaziado. Além disso, reforça o papel da Aneel e do MME na coordenação da política energética. Por outro lado, o episódio expõe como o setor reage rapidamente a mudanças regulatórias, sobretudo em um cenário de custos pressionados.
Assim, com maior alinhamento entre governo e agentes privados, os leilões de potência se tornam um teste relevante. O país precisará equilibrar modicidade tarifária, previsibilidade regulatória e garantia de suprimento. Esse desafio cresce à medida que o sistema depende cada vez mais de fontes variáveis.





