A arrecadação federal em janeiro somou R$ 325,751 bilhões e registrou alta real de 3,56% sobre o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (24/02) pela Receita Federal. O resultado representa o maior valor da série histórica iniciada em 1995.
Além do crescimento da base econômica, o avanço refletiu mudanças na política tributária. A elevação de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) ampliou o recolhimento e ajudou a compensar perdas com royalties de petróleo.
Arrecadação federal em janeiro e o efeito das alíquotas
Entre os tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), a arrecadação alcançou R$ 313,201 bilhões, com expansão real de 5,21%. Esse desempenho superou a queda nas receitas administradas por outros órgãos, que recuaram 25,53%, pressionadas pelo menor ingresso de royalties.
O aumento do IOF gerou R$ 2,6 bilhões adicionais no mês, avanço de 49% frente a janeiro do ano anterior. Já o IR sobre rendimentos de capital cresceu R$ 3,6 bilhões, alta de 32,6%, influenciado pelos ganhos em renda fixa e pela nova alíquota de 17,5% sobre a distribuição de Juros sobre Capital Próprio, antes fixada em 15%.
Receita recorde e nova base tributária
Outro vetor relevante foi a tributação sobre jogos e apostas, cuja arrecadação saltou de R$ 55 milhões para R$ 1,5 bilhão, aumento de 2.642%. A mudança amplia o peso dessa atividade na composição das receitas administradas pela União.
Além disso, as receitas previdenciárias avançaram 5,48% em termos reais, adicionando R$ 3,3 bilhões. Houve também alta no PIS/Cofins (4,35%) e no IR sobre rendimentos do trabalho (4,24%), sinalizando expansão da base formal e maior massa salarial tributada.
Arrecadação federal em janeiro e o contraste com royalties
Enquanto os tributos federais sustentaram o recorde, os royalties de petróleo recuaram 19,6%, com redução de R$ 2,8 bilhões no mês. No total, as receitas administradas por outros órgãos somaram R$ 12,551 bilhões.
Assim, a arrecadação federal em janeiro mostra uma recomposição do perfil arrecadatório, com maior dependência de tributos financeiros e menos contribuição do setor petrolífero. Para o governo, o desempenho reforça o caixa no início do exercício fiscal, mas a sustentabilidade desse ritmo dependerá do comportamento da atividade econômica, do mercado de capitais e da manutenção das bases tributárias elevadas ao longo do ano.





