Intel cresce com IA no 1º trimestre, mas prejuízo bilionário revela custo da recuperação

A Intel cresceu no 1T26 com avanço da IA e receita de US$ 13,6 bilhões, mas o prejuízo de US$ 3,7 bilhões mostra que a recuperação ainda é cara e incerta diante da disputa com Nvidia.
Fachada da sede da Intel, que divulgou o resultado do 1T26, com logotipo da empresa em destaque
Intel registra prejuízo de US$ 3,7 bilhões no 1º trimestre de 2026, apesar de avanço na receita impulsionado por IA (Foto: Reprodução)

O resultado da Intel no primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgado na quinta-feira (23/04), revela um cenário que contrasta com a leitura mais otimista do mercado. Apesar de superar expectativas no lucro ajustado, a empresa ainda não conseguiu transformar o avanço da inteligência artificial em lucro real.

A receita chegou a US$ 13,6 bilhões, alta de 7% em um ano, enquanto o prejuízo líquido atingiu US$ 3,7 bilhões no padrão contábil oficial (GAAP). O dado central não é o crescimento — é o custo para sustentar essa recuperação.

Para quem olha apenas o lucro ajustado, o resultado do primeiro trimestre da Intel parece positivo. A empresa reportou ganho de US$ 0,29 por ação, acima das projeções. O problema é que esse número ignora custos relevantes, como reestruturação e perdas contábeis, que continuam pesando no resultado final.

O efeito prático é direto: a operação começa a reagir, mas a empresa ainda paga a conta de decisões passadas e do esforço para se reposicionar na corrida global por chips de IA. Corrida que hoje é liderada por concorrentes como a Nvidia.

Crescimento da Intel no primeiro trimestre é puxado por IA, mas com custo elevado

O avanço da receita tem um motor claro. A divisão de Data Center and AI faturou US$ 5,1 bilhões no trimestre, com crescimento de 22%. A área de fundição também avançou 16%, refletindo a demanda por capacidade produtiva e empacotamento avançado.

Esse movimento apresentado nos resultados do 1T26 confirma que a Intel voltou a ganhar espaço em um mercado que passou a girar em torno da inteligência artificial. A diferença em relação aos concorrentes aparece na rentabilidade.

Enquanto empresas como a Nvidia capturam essa demanda com margens elevadas, a Intel ainda absorve custos pesados para sustentar sua operação industrial e recuperar competitividade tecnológica. O resultado é um crescimento que ainda não se traduz em lucro.

O peso da reestruturação no resultado

O principal fator por trás do prejuízo está nas despesas extraordinárias. A Intel registrou mais de US$ 4 bilhões em custos de reestruturação e outros encargos no trimestre, valor suficiente para transformar um resultado operacional positivo em prejuízo no padrão GAAP.

Sem esses efeitos, além do prejuízo bilionário com fabricação de chips que paira sobre a empresa desde meados de 2024, o lucro operacional ajustado teria sido positivo. Com eles, a margem operacional ficou negativa em 23,1%, mesmo com melhora na margem bruta, que subiu para 39,4%.

Isso mostra que o problema não está na demanda, mas na estrutura. A Intel precisa reorganizar operações, ajustar ativos e manter investimentos pesados em fábricas e tecnologia. O que, portanto, comprime o resultado no curto prazo.

O que muda na leitura do investidor

O resultado da Intel no 1T26 não aponta fraqueza operacional. Aponta uma transição cara.

A empresa cresce porque a demanda existe, principalmente em IA e data centers. Mas o custo para competir nesse mercado ainda supera o ganho imediato e isso muda a forma de analisar o negócio.

O investidor deixa de olhar apenas para receita ou lucro ajustado e passa a observar três pontos centrais:

  • Quanto da melhora vem da operação real;
  • Quanto depende de ajustes contábeis;
  • Quanto tempo a empresa ainda precisará para converter crescimento em lucro consistente.

Próximo trimestre define o ritmo da virada

A própria Intel sinaliza continuidade do crescimento para além do resultado do 1T25, com previsão de receita entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no segundo trimestre.

Esse intervalo será decisivo porque testa o ponto central do balanço: se a empresa consegue manter a expansão enquanto reduz o peso dos custos extraordinários.

Se as despesas caírem e a receita se sustentar, a recuperação começa a aparecer de forma mais consistente. Se os custos persistirem, o mercado terá que reavaliar o ritmo dessa virada.

O resultado Intel 1T26 mostra que a empresa voltou a crescer, mas ainda não conseguiu transformar avanço em lucro. Na corrida por inteligência artificial, essa diferença separa quem lidera de quem ainda tenta recuperar espaço.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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