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Por que o autoconhecimento é importante para inovar? – Por Marcos Hirano

*Coluna por Marcos Hirano, 11/04/2022

Passado, presente, futuro são definições para dimensões temporais, que nos ajudam a direcionar o pensamento para memórias e acontecimentos passados, nos concentrar no que acontece ao redor e exercitar a imaginação para o que vem pela frente. Em qualquer desses cenários, ter a habilidade de se colocar em contexto, avaliar capacidades, limitações e potencialidades pode contribuir em muito para uma compreensão mais ampla do que fazer hoje para futuros promissores.

Novos paradigmas

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Compreender que ser letrado em futuros é importante para quem queira navegar melhor nesse contexto frágil, ansioso, não-linear e incompreensível, nessa era do caos, já não deveria ser novidade para quem acompanha a coluna.

O acrônimo VUCA já não descreve tão bem o momento atual, onde volatilidade deu lugar à fragilidade, pois os modelos existentes não têm ajudado tanto a explicar o agora ou a projetar novos cenários; o excesso de Incertezas levou a uma Ansiedade e esgotamento das pessoas; a Complexidade aumentou de tal maneira que tudo acontece ao mesmo tempo agora, de maneira difusa, não-linear; o volume crescente de dados e correlações tornou o mundo um tanto incompreensível.

A fragilidade se dá em decorrência de fatores que estão além do nosso controle, apesar de terem sido criados por nós mesmos, como os eventos climáticos extremos, uma nova pandemia que pode ser desencadeada a qualquer momento, crescimento da incidência de problemas com saúde mental. Vivemos no fio da navalha, sobretudo em decorrência de décadas de práticas voltadas à maximização do lucro, de maneira inconsequente. Conforme a humanidade vem tendo melhor compreensão sobre a finitude dos recursos naturais, da necessidade de uma vida mais equilibrada, um novo paradigma vem sendo instaurado, com as práticas voltadas ao ESG com maior respeito ao meio-ambiente e à natureza, aos aspectos sociais e de governança.

O ser humano precisa compreender que faz parte de um complexo ecossistema, em que cada elemento cumpre um papel importante, de maneira integrada e sistêmica. Como diz Ailton Krenak, “nada pode ser separado da natureza”. O planeta tem a capacidade de se regenerar. O que nós, seres humanos precisamos fazer, é permitir que a recuperação aconteça.

Autoconfiança e criatividade

Ao fazer um passeio por livrarias físicas ou virtuais, a quantidade de títulos classificados na categoria de autoajuda tem aumentado ao longo do tempo. Existe uma vasta oferta de “manuais práticos”, “guias definitivo” ou ainda “os n passos”, que oferecem aos seus leitores um conteúdo motivacional e referências para que se sintam capacitados a uma mudança em suas vidas. Se há oferta, é porque há demanda.

A importância do autoconhecimento é tema de debates há algum tempo e há estudos que confirmam a relevância atribuída a essa busca. Quando há maior clareza sobre as capacidades, limitações e potencialidades, a tendência é de maior autoconfiança e mais criatividade. Aumentam a segurança para a tomada de decisões, com uma comunicação mais efetiva, que também resulta em relacionamentos mais verdadeiros e transparentes. O desempenho profissional melhora, a liderança é mais efetiva, os ambientes de trabalho se tornam mais amigáveis e como consequência, as empresas que promovem a prática tendem a ser mais rentáveis.

Autoconhecimento como chave para a mudança

De acordo com a psicóloga organizacional e coach executiva Tasha Eurich, com quase de 15 anos de atuação na área, ela pode identificar o poder do autoconhecimento. Entretanto, há uma lacuna entre a consciência e a prática do autoconhecimento, o que torna desafiador melhorar essa habilidade tão crítica.

Por quatro anos ela liderou um estudo científico em larga escala sobre o tema. Com quase 5.000 participantes e análise de outros 800 trabalhos, o estudo buscou identificar o que realmente é o autoconhecimento, por que precisamos dele e como podemos melhorá-lo.

Autoconhecimento é a habilidade de ver e compreender quem você é, qual é a sua essência, como os outros te veem e como você se encaixa no mundo em que habita.

A pesquisa revelou muitos obstáculos, mitos e verdades surpreendentes sobre o que é o autoconhecimento. Embora a maioria das pessoas acredite que é autoconsciente, trata-se de uma qualidade verdadeiramente rara: o estudo apontou que apenas 10% a 15% das pessoas estudadas realmente se encaixam nos critérios. Três descobertas em particular se destacaram e podem ajudar a desenvolver orientações práticas sobre como as pessoas podem aprender a se ver com mais clareza:

1. Existem duas grandes categorias de autoconhecimento:
a. Interno, representa a clareza com que vemos nossos próprios valores, paixões, aspirações, adequação ao ambiente, reações (incluindo pensamentos, sentimentos, comportamentos, pontos fortes e fracos) e impacto sobre os outros. Está associado a maior satisfação no trabalho e no relacionamento, controle pessoal e social e felicidade; está negativamente relacionado à ansiedade, estresse e depressão.
b. Externo, significa entender como as outras pessoas nos veem, nos mesmos fatores listados acima. A pesquisa mostrou que as pessoas que sabem como os outros as veem são mais habilidosas em mostrar empatia e aceitar as perspectivas dos outros. Ambientes com pessoas autoconscientes tendem a favorecer relacionamentos mais saudáveis, com pessoas mais seguras, satisfeitas e mais eficazes em geral.

2. Experiência e poder prejudicam o autoconhecimento: ao contrário do que se possa imaginar, o estudo mostrou que as pessoas nem sempre aprendem com a experiência, pois conforme aumentam a autoconfiança perdem a capacidade de fazer autoavaliações mais ajustadas, prejudicando também no senso crítico para o autoconhecimento.
E quanto mais poder um líder detém, maior a probabilidade de superestimar suas habilidades e competências, tornando-as menos abertas a ouvir, ao mesmo tempo que as pessoas se sentem menos à vontade para oferecer feedbacks sinceros.
Mas isso não precisa ser o caso. Uma análise mostrou que os líderes mais bem-sucedidos, avaliados por avaliações de 360 graus da eficácia da liderança, neutralizam essa tendência buscando feedback crítico frequente (de chefes, colegas, funcionários, diretoria e assim por diante). Eles se tornam mais autoconscientes no processo e passam a ser vistos como mais eficazes pelos outros.

3. A introspecção nem sempre melhora o autoconhecimento: é natural imaginar que examinar as causas de nossos próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos ajuda a desenvolver o autoconhecimento. Mas o que o estudo mostrou refuta esse senso comum. E uma das razões identificadas é que quando nos autoavaliamos, tendemos a nos questionar sobre “por quês” em vez de “o que”. Para aumentar a autopercepção produtiva e diminuir a ruminação improdutiva, devemos perguntar o quê, não o por quê. As perguntas “o quê” nos ajudam a permanecer objetivos, focados no futuro e capacitados para agir de acordo com nossos novos insights.

“Ao longo da minha carreira e da minha vida, houve uma verdade essencial. A maior oportunidade de melhoria – nos negócios, em casa e na vida – foi a conscientização.” Alan Mulally, ex-CEO Comercial da Ford e Boeing.

Você tem investido em seu autoconhecimento? Compartilhe sua visão e o que tem feito para melhorar seu preparo para navegar nesse mundo BANI com mais segurança e autoconsciência.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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