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Mudanças climáticas podem deixar 3 milhões de brasileiros na pobreza

mudanças climáticas
(Foto: Pixabay/Pexels)

A mudança climática está se mostrando uma ameaça crescente à estabilidade econômica e social no Brasil, com potencial de deixar entre 800 mil a 3 milhões de pessoas para a pobreza, de acordo com um relatório do Banco Mundial. O estudo, que destaca a vulnerabilidade do país aos efeitos do clima na economia, aponta que eventos extremos podem agravar a desigualdade já existente, pressionando principalmente os mais pobres.

O impacto do calor na produtividade e inflação

Os impactos são particularmente severos no setor de trabalho braçal, onde o aumento das temperaturas reduz a produtividade. Além disso, a inflação nos preços de itens essenciais como alimentos e energia está projetada para subir, agravando as condições de vida dos mais vulneráveis. Um estudo do Banco Central Europeu e da Universidade de Potsdam indica que as mudanças climáticas poderão aumentar a inflação global de alimentos em até 3,2% ao ano, com um impacto esperado de 1,9% ao ano no Brasil.

Desigualdades acentuadas e racismo ambiental

Esses dados são reforçados pela Oxfam Brasil, cuja gerente de programas, Maitê Gauto, aponta que “os mais ricos, além de contribuírem mais para o aquecimento global em razão do seu estilo de vida, também têm maior resiliência aos desastres naturais e à inflação causada por alterações climáticas“. Em contrapartida, as comunidades mais pobres e marginalizadas, frequentemente afetadas pelo que a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, descreve como “racismo ambiental e climático”, enfrentam riscos desproporcionais.

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A vulnerabilidade das favelas

O relatório também detalha a precariedade nas favelas brasileiras, onde 16,6 milhões de pessoas vivem em condições inadequadas de habitação e saneamento. Helio Santos, presidente do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, enfatiza a intersecção entre questões raciais e ambientais, apontando que a população das favelas é majoritariamente negra e desproporcionalmente afetada por desastres naturais. “As 11 mil favelas significam a ausência completa de planejamento urbano. Além disso, é clara a interseção de questões raciais e ambientais, visto que essa população é majoritariamente negra” disse Hélio.

Propostas para um futuro mais justo

Para combater essas desigualdades, Helio Santos propõe a criação de um fundo financiado por recursos internacionais de clima para melhorar a infraestrutura e as condições de vida nas favelas. O documento “Princípios e Diretrizes para o Enfrentamento ao Racismo Ambiental no Brasil”, elaborado por 19 organizações e movimentos sociais, visa orientar a elaboração de políticas públicas que considerem as desigualdades raciais frente à crise climática.

As recomendações foram apresentadas à Presidência da República e a vários ministérios, numa tentativa de integrar as preocupações sociais e ambientais na política nacional. A iniciativa reflete um crescente reconhecimento de que as questões climáticas são também questões de justiça social, e que as políticas de mitigação e adaptação devem avançar juntas para assegurar um futuro mais equitativo e sustentável para todos os brasileiros.

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