A Starbucks deu início a um novo ciclo de crescimento no Brasil, mas a expansão anunciada pela empresa representa, antes de tudo, a reconstrução de uma operação que encolheu nos últimos anos. A rede pretende abrir 30 novas lojas até o fim deste ano, elevando sua presença depois do período de maior retração desde que desembarcou no país.
Hoje, a marca opera 113 unidades. O número ainda está abaixo da estrutura que mantinha antes da crise da antiga licenciada da marca, quando a rede chegou a se aproximar de 190 lojas distribuídas por diferentes estados brasileiros.
A retomada indica que a empresa voltou a investir na expansão física após um período dedicado à reorganização da operação, revisão de contratos e reabertura gradual de unidades.
São Paulo concentra a retomada do crescimento da Starbucks no Brasil
O primeiro movimento acontece na região metropolitana de São Paulo, principal mercado da Starbucks no país. A empresa abriu recentemente novas unidades no JK Square, no Itaim Bibi, e no edifício HBR, em Pinheiros. Além disso, recolocou em funcionamento lojas localizadas na Berrini e na Eliseu Guilherme.
Até setembro, a expectativa é inaugurar 13 novas cafeterias em bairros como Jardins, Consolação, Itaim Bibi, Pinheiros e Moema.
A estratégia prioriza regiões com grande circulação de consumidores, escritórios e renda elevada, reforçando o posicionamento da marca no segmento de cafés premium. Algumas unidades também passam a oferecer espaços para reuniões e permanência prolongada, recuperando um conceito que ajudou a consolidar a Starbucks em diversos mercados.
De pioneira no Brasil à recuperação da operação
A Starbucks chegou ao Brasil em 2006, com a abertura da primeira loja em São Paulo. Durante vários anos, concentrou praticamente toda a operação entre São Paulo e Rio de Janeiro expandindo para outros estados apenas na segunda metade da década passada.
Esse crescimento perdeu força no fim de 2023, quando a SouthRock, então licenciada da marca no país, entrou em recuperação judicial. A crise provocou o fechamento de dezenas de unidades, causou a perda da licença da Starbucks e interrompeu os planos de expansão.
Com a transferência da operação para a Zamp, controladora de redes como Burger King e Popeyes no Brasil, a prioridade passou a ser estabilizar o negócio antes de investir em expansão. Nesse conceito, porém, as expectativas são altas, com a rede esperando chegar a 100 lojas até 2028 e a pelo menos 300 unidades até 2033, adotando modelo de franqueamento.
Mercado de cafeterias entra em uma nova fase
A retomada da Starbucks no Brasil coincide com um momento de maior movimentação entre as redes especializadas em café. A cafeteria colombiana Juan Valdez também prepara sua expansão no Brasil por meio de franquias e pretende ampliar sua presença nos próximos anos.
O cenário indica uma concorrência mais intensa no segmento de cafeterias premium, impulsionada pela busca por consumidores que valorizam experiência, conveniência e cafés especiais.
Para a Starbucks, recuperar o ritmo de inaugurações significa mais do que ampliar a rede. A empresa, agora, tenta reconquistar a escala perdida nos últimos anos. E, além disso, voltar a disputar espaço em um mercado que se tornou mais competitivo com o tempo.





